domingo, 11 de outubro de 2009

Falando um pouco de projeções

Quando eu morava no sul do país, entre os meados dos anos 80/ 90, trabalhei em um Centro Infantil com crianças de 2 a 6 anos. Eu adorava contar histórias para elas. Dentre as histórias, lembro de uma que era de uma estrelinha que tinha caído do céu sobre um cactos. Muitas vezes eu adaptava a história conforme a minha intenção de ensinar determinado assunto. Assim, não lembro da história original, nem do título ou autor, mas somente da minha adaptação.

Vou contar rapidamente a história que adaptei:

Certo dia uma curiosa estrelinha debruçou-se na janela e tentava olhar os detalhes do nosso lindo planetinha... Curiosa, esticou-se, esticou-se, esticou-se sobre a janela para observar. De tanto esticar-se... pluft... caiu da janela aqui na Terra... E coitada... para sua infelicidade caiu sobre um espinhento cactos! Ficou toda espetada... Mas como não sabia o que eram os espinhos, não compreendia porque sentia dor...
Quem estava ao redor ouviu os seus gritos: “ – Ai, ai , ai... ui, ui, ui... Que lugar horrível!!” Os pessoas foram lá e tentaram ajudá-la, queriam arrancar os espinhos, mas quando a tocavam ela sentia mais dores ainda e assim, com medo, ela não deixava que ninguém se aproximasse. Ela imaginava que eram as pessoas que a feriam quando a tocavam. Ela só dizia: “- Ai, ai, ai... sai pra lá... ai, ai, ai... ui, ui, ui... sai pra lá...”
Com o tempo, algumas pessoas conseguiram ganhar sua confiança e chegar mais perto... Foram retirando os espinhos um a um, levando em conta o quanto era desconfiada... Até que todos os espinhos foram retirados e a estrelinha pôde aceitar, abraçar e conhecer o que é o amor...”

É lógico que nessa faixa etária não era possível um aprofundamento, mas sempre fica guardada uma sementinha de luz...

Contei essa história agora porque quero falar das projeções.

Todos nós somos estrelinhas... somos luzes que caíram do Céu e ninguém mais, a não ser nós mesmos, somos os causadores de nossa queda.
Os espinhos que parecem fazer parte desse mundo ou parte de nós estão na nossa própria mente. Esses espinhos são o medo e a culpa, que tomam incontáveis formas, assim, nós tentamos nos livrar deles colocando-os do “lado de fora”, no nosso corpo, nas coisas e nas pessoas, no mundo. A esse mecanismo de proteção da mente chamamos projeção.
Mas as nossas projeções vão além disso. Esse tipo de projeção é a ponta do iceberg.

Todo o mundo que se descortina na nossa frente é uma projeção coletiva, é uma projeção holográfica dos nossos desejos de separação de Deus.

Esse mundo é a manifestação da nossa crença de que caímos do Céu, ou do nosso estado original de ser e daí advém a idéia de pecado e também do pecado original.

A crença de que conseguimos nos desligar de Deus gera inúmeras crenças, dentre elas a crença de que somos vulneráveis e a estamos a mercê da vida, como vítimas de uma situação monstruosa que nos ameaça a todo instante. Nós mesmos projetamos esse mundo caótico e não queremos abrir mão dele, porque alimentamos as idéias que o sustentam.

Nossa mente é poderosa, não conhecemos o seu poder e a crença de que não temos o poder de sair dessa situação constrangedora é que ainda nos mantém nela. No fundo nós queremos um culpado e mantemos essa forma ilusória de ver as pessoas, o mundo e a “vida” para que possamos culpar alguém.

Quem já não experimentou uma revolta em relação a Deus quando da perda de um ente querido? Quem já não experimentou uma irritação, ou revolta ou raiva em relação a alguém ao apenas imaginar que essa pessoa possa ter feito algo que lhe feriu, que foi contra seus interesses, que lhe causou dano ou perda?

A estrelinha sustentava a idéia de que as pessoas a feriam quando tocavam nela. Só quando confiou é que puderam, muito vagarosamente, tirar os seus espinhos.

Nós fazemos o mesmo com muitos eventos na nossa vida. Atraímos, através de nossa vibração, os eventos que nos dizem respeito, que precisamos aprender ou ensinar para aprender, mas não vemos dessa forma. Nós culpamos os outros pelo que nos acontece ou culpamos a nós mesmos, sem percebermos que tudo é aprendizado e que esse aprendizado nós escolhemos ter.

Nós estamos aqui para aprender a confiar. Amor e confiança são o mesmo.

Se a estrelinha não tivesse confiado ela estaria ainda cercada de espinhos e achando que quem a feria era quem estava lá para ajudá-la.

Nossos irmão estão a nossa volta para nos ajudar. Se confiarmos nisso, poderemos vê-los como salvadores e não carrascos, pois deixaremos de projetar neles o nosso medo e a nossa culpa.

Poderemos ver nos que gritam, brigam e atacam pedidos de amor. E a um pedido de amor como negar?

Essas idéias podem parecer bem românticas e nada realistas. Percebo que as pessoas chamam de realista a forma como entendem que devem agir nesse mundo com base na forma como entendem esse mundo, isso é, como se esse mundo fosse a realidade e, assim, para elas, nele é necessário ser esperto e defender-se. O meu conceito de realismo não é o usual... Agir de forma realista é agir levando em conta as Leis da criação de Deus. Ser esperto é estar acordado, estar acordado é estar ciente do seu verdadeiro Ser, o seu verdadeiro Ser está atrelado a Verdade, que está atrelada aos conceitos de Deus e não do mundo, pois os conceitos do mundo se opõem aos conceitos de Deus. No meu entender, ser verdadeiramente esperto é ser perspicaz, isso é, ter agudeza de espírito, ser penetrante e profundo em suas observações, só assim poderemos des-cobrir (o véu da ignorância) a respeito de quem somos, quem são nossos irmãos e Quem é Deus.

Assim, a cada pedido de amor não teremos outra forma de agir senão dar amor, porque é o amor que nos une e nos alimenta. É o amor que apazigua as inquietações de nossa alma e nos conduz de volta ao nosso estado original de Graça e Plenitude no seio do Pai/Mãe.

As projeções serão abandonadas ao final e poderemos olhar para o mundo e para todos os seres que o compõem como partes inseparáveis do nosso Ser. O olhar da inocência que edificará um novo mundo está aguardando para ser expresso, ele está latente em cada coração e é o presente precioso que cada um merece receber e dar. Esse é o nosso verdadeiro tesouro guardado no Templo interior que habita em nós. Compartilhar desse tesouro é a única projeção feliz aceitável e que podemos oferecer.

Brilha, brilha a estrelinha
Brilha, brilha lá no céu...
Vou ficar aqui quietinho
Pra esperar Papai do Céu...

Beijinhos de luz
Amo vcs!

2 comentários:

  1. Aiii meu Deusss... como é complicado esse lance de projeção... Tudo aqui parece ser MUITO "Real", sentimos dor, fome, medos e mais medos... é muito difícil encarar tudo oq vivemos como simples projeções... Maaas estamos no caminho... cada dia se abrindo mais... nos PERMITINDO mais... aceitando mais e mais a Vontade do nosso Pai.

    Obrigada pelas lindas palavras minha flor.

    Força Galeraaa..kkk

    Nós chegaremos lá... o Plano não falha!!

    =)

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  2. Hehehe... não falha não...
    A gente pode demorar um pouco para aceitar, mas quando aceitamos o Plano de Deus para nós é só alegria...
    Beijos, flor de luz!

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